Anatel e tribunais federais suspendem acesso ao SEI por falhas no PHP
Na quarta-feira (21), a Anatel e os tribunais regionais federais da 1ª, 4ª e 6ª regiões bloquearam o acesso externo ao Sistema Eletrônico de Informações (SEI). A decisão preventiva veio depois que duas falhas críticas foram encontradas no PHP, linguagem que roda em aproximadamente 70% dos sites do mundo. O TRF1 explicou que a pausa protege a segurança do sistema e a integridade dos dados institucionais, sem data para voltar.
A Anatel ampliou o bloqueio para outros serviços online enquanto avalia tecnicamente. O g1 questionou o TSE sobre possíveis efeitos nas eleições deste ano e aguarda retorno.
Governo federal emite alerta para atualização imediata
No mesmo dia, o Centro Integrado de Segurança Cibernética do Governo Digital (CISC) publicou aviso orientando órgãos públicos a atualizarem o software sem demora. O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) cobrou dos gestores de TI da administração federal a correção imediata. O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) confirmou que a orientação chegou a todas as unidades de tecnologia para tirar do ar temporariamente os sistemas feitos em PHP.
Até agora, especialistas ouvidos pelo g1 não relatam grandes incidentes no Brasil.
Vulnerabilidades permitem controle de servidores sem autenticação
As duas brechas podem permitir que o invasor assuma o controle do servidor que mantém o site, sem exigir senha ou login. O patch já está disponível. Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks, alertou ao g1 que sites sem atualização rápida correm risco real de invasão, dada a disseminação do PHP.
Descoberta feita com uso de inteligência artificial
Em agosto, a Calif e a OpenAI (dona do ChatGPT) reportaram as falhas de forma independente, no mesmo dia. Depois, a Wiz, especializada em segurança na nuvem, achou novos vetores de exploração. Para a Wiz, estão entre as vulnerabilidades mais graves já vistas no PHP e talvez em todo o software.
A empresa usou os modelos Gemini 4 Argon (Google) e GPT-5.6 Sol (OpenAI) na caça aos bugs. Segundo a Wiz, por mais de dez anos essas falhas críticas ficaram ocultas porque encontrá-las e explorá-las era extremamente complexo sem IA.
Órgãos internacionais também agiram
No mesmo dia, agências e empresas de vários países tiraram sites do ar. A NSA americana pediu correção imediata ou desligamento dos sistemas vulneráveis. Na França, a Agência Nacional de Cibersegurança mandou tirar do ar páginas de administrações locais, incluindo a da Prefeitura de Polícia de Paris.
O Ministério do Interior francês confirmou que a ação seguiu a detecção de uma vulnerabilidade crítica.
Fonte: g1 Tecnologia


